Crítica: O Quarto de Jack (2015, de Lenny Abrahamson)



'O Quarto de Jack' é um filme indie que atravessou 2015 com elogios da crítica, ganhou destaque mundial, invadiu premiações do cinema e deverá sair no próximo domingo dia 28 como vencedor do Oscar na categoria de Melhor Atriz. A até então desconhecida Brie Larson tem uma atuação delicada e difícil. Baseado no livro de mesmo nome, vemos o cotidiano de mãe e filho que moram em um quarto fechado. A partir daí desenrola-se uma
  história encorajadora.


Conforme a narrativa do longa se aprofunda nos medos e na luta da mãe para proteger o filho, enquanto a criança imagina como seria o mundo lá fora, de maneira leve entendemos uma realidade pesada. A jovem foi sequestrada por um molestador, que a mantém presa por anos, e abusando-a, gerou uma criança em pleno cativeiro. Esta história obscura é revelada sutilmente e com leveza nos olhos do pequeno Jack, que começa a entender o mundo em sua volta. 




O roteiro aposta em elementos sutis e metafóricos. Os diálogos extremamente bem escritos expõem a mente de uma criança que desconhece como é o mundo, acha que o que vê na TV é falso e sonha em ver o mar e um cachorro. Em contraste com estas sutilezas, vemos o olhar pesado da mãe. Diante da oportunidade cria-se um plano de fuga, gerando uma reviravolta na história. Estas reviravoltas aprofundam o psicológico de ambos - mãe e filho - mostrando bem a reaproximação da família, a falta de pudor da mídia que ama desgraças e até mesmo a rejeição diante a mudança em um mundo sete anos depois do cativeiro. Interessante como a utilização da TV, celulares e tecnologia é mostrada no filme para brevemente discutir as mudanças nos hábitos da sociedade e na mente dos protagonistas.


A atuação de Brie Larson é uma das coisas mais poderosas do cinema de 2015 e certamente merece e levará o Oscar. Mas o menino Jacob Tremblay também atua extremamente bem, com um olhar que convence. Tanto na sua visão imaginativa quanto nas situações dramáticas, o menino impressiona pela sua desenvoltura. Na cena em que pela primeira vez o menino vê e faz carinho em um cãozinho, é de rachar o coração. Jacob também merecia concorrer ao Oscar de Melhor Ator fácil. Com a triste situação da mãe e do filho em atuações monstruosas, com um roteiro original, metáforas belíssimas e imaginativas, um drama convincente e cenas emocionantes, 'O Quarto de Jack' é um exemplar do melhor que a sétima arte pode oferecer. Um filmaço, belo e imperdível. Prepare os lenços e o coração.


NOTA: 9,5




Direção: Lenny Abrahamson

Elenco: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Sandy McMaster, Matt Gordon, Amanda Brugel.

Sinopse: inspirado no livro de mesmo nome escrito por Emma Donoghue, o longa conta a história de Jack, um menino de cinco anos que é criado por sua mãe, Ma. Como toda boa mãe, Ma se dedica a manter Jack feliz e seguro e a criar uma relação de confiança com ele através de brincadeiras e histórias antes de dormir. Contudo, a vida dos dois não é nada normal: eles estão presos em um espaço de 10m². Enquanto a curiosidade de Jack sobre a situação em que vivem aumenta, a resiliência de Ma alcança um ponto de ruptura. Os dois, então, começam a traçar um plano de fuga. Ao mesmo tempo em que conta uma história de cativeiro e liberdade, ‘O Quarto de Jack‘ destaca o triunfante poder do amor familiar mesmo na pior das circunstâncias.



Trailer: 













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O Vigilante da Noite

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